LGBT Portugal

LGBT Portugal
Não homofobia. Mais cidadania.

06 dezembro 2009

Gente muuuuito distraída - Opinião - DN

" (...)  Em Fevereiro, houve um Prós e Contras na RTP sobre o assunto - um dos mais vistos desde que o programa existe. Em Maio, surgiu o MPI - Movimento para a Igualdade no acesso ao casamento civil - lançado com a assinatura de mil pessoas de variados quadrantes sociais, profissionais e políticos. Na pré-campanha e na campanha eleitoral, o assunto esteve sempre presente - até na muito comentada inclusão, nas listas do PS, de Miguel Vale de Almeida, um dos rostos mais conhecidos e respeitados do activismo LGBT português. (...)
Mas há gente muito distraída.
(...) Gente distraída da noção de democracia, até. Afinal, defender um referendo sobre esta matéria um mês e meio após um sufrágio não é só desconsiderar-lhe o resultado; é dizer que se crê que o CPMS não foi relevante no sentido de voto dos portugueses, que estes não se ralaram com a questão o suficiente para decidirem o seu voto por causa dela. O que é admitir que um referendo não faz - duplamente - sentido (sim, também se distraem muito na lógica). (...) "

DN-Opinião, por Fernanda Câncio


Gente muuuuito distraída - Opinião - DN



" A converseta moralucha em torno do casamento dos homossexuais recorda-me aquele fulgurante poema  de Sophia de Mello Breyner que começa assim: " As pessoas sensíveis não são capazes/de matar galinhas/porém são capazes/de comer galinhas". Não se pode chamar debate ou discussão ao que é apenas um tricô de preconceitos, uma espiolhagem salivante sobre a vida íntima dos outros.
(...) O mundo já caminhou o suficiente (no Ocidente, claro), para entender que as crianças precisam de adultos que as amem. Um homem e uma mulher. Ou só um homem. Ou só uma mulher-os filhos dos viúvos, como se criam sem o tal modelo outro? Ou dois homens. Ou duas mulheres. As crianças precisam de modelos de amor. O amor, qualquer amor, ilumina.
(...) As pessoas que pretendem negar a outras o direito ao casamento, fundamentando essa recusa no tipo de práticas sexuais dos outros, estão certamente a precisar de tratamento psiquiátrico. Porque só pensam em sexo e em poder, e há outras coisas na vida, muito mais importantes. A começar pelo amor. "

O Casamento, por Inês Pedrosa,
in Expresso 05/12/2009